ESTUDO - Cursilho

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FORMAÇÃO

Mateus M. de Almeida, 19 anos é cursilhista. Participou do 72 cursilho para jovens masculino em 2014. Participa da Escola Vivencial da Capelinha aos sábados e Escola Vivencial da Nossa Senhora das Graças às quartas feiras.


CONVERSÃO, SANTIDADE E OS TRÊS PASSOS PARA A CAMINHADA ETERNA


Uma só coisa nos é essencial: a salvação da nossa alma.

Deus Pai enviou seu Filho Unigênito (gerado, não criado) pelo Espírito Santo, não pra salvar a humanidade, mas para salvar cada ser humano. Ele não olha a multidão, permeia os mais obscuros corações procurando a luz necessária para que, a partir daí, faça milagres, atraindo sua criatura perfeita de volta para casa. A fórmula “A tua fé te salvou”, usada por Jesus nos Evangelhos, revela que, quando a pessoa está convicta de que só Deus pode resolver uma situação sem solução, o sublime acontece. Ele não usa cor, altura, status, gênero, religião ou qualquer outra característica ser humano para segregá-lo dessa Graça; essa é uma atitude típica do Maligno, que é diabo, isto é, “aquele que divide”.

Muitos são os relatos nas Sagradas Escrituras em que Cristo nos mostra que a Redenção, tornada possível pelo olhar cordial do Salvador, inicia-se dentro de cada um a partir de três elementos, surgidos na miséria: 1) a consciência; 2) a vontade; 3) o desejo.

Queremos, pois, em breve reflexão, abordar cada ponto dessa dinâmica de regresso à vocação primeira – a Santidade –, mostrando que a misericórdia de Deus atua, sim, mas depende da entrega de cada pessoa de suas misérias para que Aquele que tem um coração acolhedor tal qual o de uma galinha que protege seus pintinhos debaixo de suas asas. 


Consciência

Assim como o amor, a consciência é um conceito bem amplo de se estudar; sem a intenção de esgotá-lo, queremos tratar rapidamente do tema pela dinâmica do autoconhecimento. 

Sob essa perspectiva, consciência é, então, o sentimento ou a descoberta de si próprio que permitem ao ser humano vivenciar, experimentar, compreender aspectos ou a totalidade do seu mundo interior. Sendo assim, é um dom magnífico de Deus, já que indica que a vontade do Pai é a de sempre nos atrair para próximo Dele.

Esse primeiro passo é fundamental para a Salvação. Muitos se culpam ao identificarem suas mazelas, conhecerem seus erros, se depararem com um sujeito pecador que mora dentro de si; mas nem todos se recordam de que essa atitude lhe foi dada pelo Espírito Santo como uma espécie de incentivo, não sendo, por si só, suficiente. Cabe, a cada um, diante dela, escolher permanecer na autocondenação, ou prosseguir o caminho árduo da santidade.


Vontade

Entrando em contato consigo mesmo, de maneira profunda, a pessoa percebe que precisa fazer algo para sair dessa situação.

Ela começa, então, a ser mais atenta às situações por que passa e percebe que outros também sofrem com suas mazelas, mas conseguem solucioná-las.

Essa constatação desperta no indivíduo a tentação de tomar a vontade de mudança por preguiça, desânimo ou, até mesmo, frustração, com base em experiências negativas do passado. Nesse estágio, o propósito chega a ser cogitado, mas não existe combustível para sua resolução. Também é o passo mais perigoso, pois a pessoa está ciente dos problemas e quer fazer a mudança o mais rápido possível, em orações incessantes e penitências exacerbadas. A demora inerente ao processo faz com que, com o passar do tempo, a pessoa se desespere, levando a ansiedade a tomar conta do psicológico, bastando acontecer uma pequena decepção no caminho para que ela regresse ao ponto inicial.

Nesse recomeço, porém, a realização de outro exame de consciência é dificultada pelo fato de que o sujeito imaginar que pode não conseguir sucesso novamente.

A vontade, portanto, deve ser alimentada com cautela e persistência, no dia-a-dia, na oração serena entregue a Deus, no jejum constante, na prática da caridade, na meditação das Sagradas Escrituras, na participação ativa no santo Mistério do Altar e na devoção intensa a Maria Santíssima. Sendo realizado dessa forma, o processo se intensifica, ganha corpo e cumpre mais uma etapa, chegando-se ao estágio do “desejo”.


Desejo 

O desejo é um conjunto de vontades alimentadas. Uma pessoa que deseja o céu deve, como causa essencial, ter vontade de ser santa, vontade de Deus, de amar, de perdoar. Alcançar o céu é, sem dúvida, a certeza de ter vontades sobre as coisas que levam a isso.

Nesse sentido, a alegria está para a felicidade como a vontade está para o desejo. O conjunto de alegrias realiza a felicidade, e um conjunto de vontades realiza desejos.

Mas surge uma importante questão nesse caminhar: como controlar o desejo para que ele não se torne mau?

Aliás, pode um desejo se tornar mau, com o tempo?

O desejo necessita, assim como a vontade, ser alimentado?

Essas e outras perguntas rondam o intelecto daqueles que buscam ardentemente a santidade. Posto que em santidade reina a Verdade, o sujeito que a almeja deve se preocupar em não ser mentiroso consigo mesmo, com o próximo, e menos ainda com Deus. Um desejo regado de vontades mal ordenadas se torna mau, por consequência.

Como podemos perceber, um estágio depende intrinsecamente do outro: um mau exame de consciência faz se realizarem más vontades, o que acarreta em um mau desejo. 

Devemos sempre nos lembrar que, sozinhos, somos um vazio. Precisamos, em todos os momentos – ainda mais num processo de cura –, recorrer ao auxílio do Altíssimo, pedindo os dons do Espírito Santo, para que, a cada fase concluída, tenhamos ainda mais sede de Deus, na certeza que Ele não nos desampara quando O desejamos de todo nosso coração.

Chegado ao término do desejo, o desejado já se encontra automaticamente ao alcance de nossas mãos, bastando somente um último elemento desencadeador para que ele se materialize.

Quando pedimos algo, pedimos a alguém; quando ganhamos algo, ganhamos de alguém.

Jesus, quando se deparava com alguma situação em que o miserável se entregava de corpo, alma, espírito e verdade, antes do milagre acontecer, lançava um olhar de misericórdia, de compaixão; de Salvação, enfim.

Pedro, ao negar por três vezes que conhecia o Galileu, se deparou com o olhar de Cristo, e chorou amargamente arrependido.

Judas, por sua vez, ao ver que Jesus foi condenado inocentemente, quis devolver as trinta moedas, acreditando que isso bastaria para a sua redenção. Sendo negado seu desejo motivado por um breve ato de desespero, correu para se enforcar.

A diferença entre a situação dos dois apóstolos foi que Pedro encontrou o Olhar de Cristo, depois de procurá-lo, e Judas dele se escondeu, não alimentando seu desejo ordenadamente porque o desespero havia tomado conta de suas vontades.

Todas as quintas-feiras milhares de igrejas estão de portas abertas, com Jesus exposto no Santíssimo Sacramento para mais e mais pessoas se encontrarem com o Olhar que salva.

Mas, enquanto as pessoas estiverem ocupadas demais com outros deuses, formados por elas mesmas, nem a consciência acusará, muito menos o Olhar as encontrará. 

Portanto, busquemos, a cada dia, e introspecção, a busca por nós mesmos, de modo a quem sabe, assim, um dia usarmos das mesmas palavras de Santo Agostinho: “Eis que eu te procurava fora, mas fora não estavas, pois dentro de mim habitas, oh, beleza tão antiga e sempre nova”.

 
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